Archive for May, 2008

Letroca

Meus colegas de faculdade costumam rir de mim pelo meu infinito esquecimento. Já estamos no fim do semestre, e durante esse tempo tivemos em média 8 provas sem considerar os seminários, comunicações orais etc e talz. Em uma conversa de corredor eu estava comentando a quantidade de avaliações surpresas que tivemos nesse semestre, na época eu mencionei 3 em específcico. Por mera coincidência um amigo meu de sala estava passando no corredor, ouviu meu comentário e disse:

“Prova o que, Carol?”

E eu disse:

“Como assim?! As provas surpresas que tivemos.”

Ele começou a rir descontroladamente e dizer :

“Só podia ser você mesmo viu?! Carol a prova só foi surpresa pra você mesmo! A professora já está acostumada com a sua cara de espanto quando entra em sala e vê as cadeiras arrumadas de uma maneira diferente, e ela entregando as provas. Ainda bem que você não é uma má aluna e independente da surpresa você sempre vai bem na prova. Nào é que a prova é surpresa, é porque VOCÊ esquece da data em que ela vai ser aplicada.”

Bem, esse é um detalhe que eu não estava considerando. Além disso eles também se divertem com as minhas trocas de palavras. Daltônico por sinestésico; Telepesquisa por Telecurso 2000; 10 homens e 2 segredos… Aparentemente eu não sou uma pessoa tão normal assim. Pelo menos isso nunca interferiu na minha carreira acadêmica, pois, por um lado é até bom eu esquecer das provas assim não fico muito nervosa com elas, e depois, como eu faço Letras se acontecer de eu trocar uma palavra por outra – que não tem nada a ver com o contexto- posso alegar que tenho liberdade poética e nao me detenho aos sentidos convencionalistas que as pessoas criaram, ou simplesmente dizer que eu quis criar um neologismo. E no final das contas minha turma se diverte…

Concluindo, depois de me verem jogando Letroca eles concluiram que este jogo foi criado para mim, ai está o site para quem quiser checar: (http://www.fulano.com.br/Scripts/JogosOnline/Letroca/LeTrocaAbertura.asp)

Copyright © Caroline Oliveira – Todos os direitos reservados

Sentidos apurados

Com o pouco tempo em que tenho exercido minha profissão, aprendi a encarar cada aluno de uma forma diferente. Por exemplo, em relação aos sentidos, podemos classificá-los como sinestésicos, auditivos e visuais, dependendo disso precisamos ensiná-los de formas variadas. Outra coisa importante é que como professora é impossível não tentar lembrar de que tipo de aluna eu era. Uma antiga professora certa vez disse:

“Carol! Ah! Eu posso defini-la apenas com duas palavras: mini- adulta.”

Nesse mesmo dia em que ela afirmou isso, disse que diferente dos outros alunos ela tinha muito cuidado com o que falava perto de mim, porque certamente eu não iria esquecer. Assim eu entraria, ou melhor entro, na categoria dos alunos auditivos. Voz, música, ritmo sempre foram aspectos importantes na minha vida, apesar de, não saber cantar, não saber tocar nenhum instrumento e não ter muito ritmo também.

O mais engraçado é que todo mundo escutava somente com os ouvidos, mas eu não. Quando minha mãe vinha subindo as escadas do meu prédio em direção a porta, eu logo escutava seus passos e a cada segundo que se passava eu a via chegando perto da porta até o momento em que ela fosse colocar a chave na fechadura e com toda a prontidão eu abrisse antes dela concluir o ato. Logo eu escutava com os olhos também.

Além do mais a voz da minha mãe é inesquecível. Aguda, porém firme; nem tão alta, nem tão baixa mas clara o suficiente para todos entenderem; e com tom tão marcante que penetrou no meu coração para nunca mais sair e que ecoa até hoje. Então quando ela falava perto de mim eu sentia meu coração vibrar mais forte e meu corpo todo paralisar só pra escutar o que ela estava falando, eu pegava na mão dela e sentia as ondas sonoras passando. Logo eu também escutava com o tato.

Um dia um aluno meu disse:

Teacher, coloca aqui a mão no meu peito pra você escutar meu heart!”

Os outros alunos começaram a rir dele e questionar como eu iria escutar com a mão, mas, eu sabia exatamente o que ele queria dizer.

Para completar sentir o cheiro da minha mãe, é como sentir ela perto de mim, tocar sua mão e acima de tudo escutar ela conversando comigo. Logo, eu também escuto com o nariz. Depois de tudo isso, após um período razoavelmente longo longe de uma grande amiga, cuja voz é igualmente inesquecível, chorei quando a escutei cantar e ela riu. Mal sabe ela como é confortante para mim escutar sua voz.

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